Embora torcedor do Grêmio, joguei na escolinha de futebol do Inter em meados da década de 1980. E era goleiro. Sempre lembro o que o treinador dizia, que goleiro não tem a obrigação de defender pênalti. Jogador que bate é que não pode desperdiçá-lo.
Sempre me sentia minúsculo sob as traves nas cobranças de pênaltis, e ainda assim consegui defender não poucos nos treinos, de tão mal batidos que eram. E continuam sendo, mesmo entre atletas profissionais. Se a maioria dos goleiros não tivesse o hábito de "escolher o canto" na hora das cobranças, certamente poderia defender bem mais.
É por isso que, quando é um goleiro que bate um pênalti (Rogério Ceni, do São Paulo, é o melhor exemplo), raramente o desperdiça. Porque sabe onde e como chutar.
Claro que o fator emocional também pesa, e muito, principalmente em uma decisão. E pode ter sido o que aconteceu com os jogadores do Fluminense, na final da Libertadores (sem tirar os méritos do goleiro da LDU, que pode até ter "escolhido os cantos", mas o fato é que as cobranças do Flu foram muito ruins mesmo, exceto a do gol).
Cobrança de pênaltis não é bem uma loteria, como costumam dizer os comentaristas esportivos. É mais uma questão de técnica, autoconfiança e cabeça fria. O que pode fazer toda a diferença.